




Sugiro que façam uma visita à galeria deste ecléctico senhor.
Para terminar, deliciem-se com uma pequena amostra de Hand Painting ao som dos Queen
Diário de Bordo onde irei colocar algumas das minhas anotações.






Fez hoje exactamente um ano que estive em Madrid a participar no ICM 2006.
Para além de ter adorado assistir ao vivo à entrega das medalhas fields e à palestra pública do senhor Benoit Mandelbrot, gostei imenso de ter assistido às palestras principais, pois tive uma oportunidade única de estar ao corrente nos novos avanços nas mais diversas áreas da Matemática.
Também se pode constatar o empenho que todos os participantes (eu incluso :) ) demonstraram na preparação das suas palestras.
Há cerca de 1 mês e meio atrás, recebi o primeiro volume dos proceedings, que para além de conter todos os resumos (formato artigo) das palestras principais, vinha acompanhado por um CD-ROM que contém todos os vídeos e slides das palestras principais, para além das cerimónias de abertura e fecho. De facto, este CD-ROM foi um excelente bónus.













Tinha acabado de terminar o curso a 30 Junho de 2004 com média final de 16. Para quem gosta de futebol, este foi o dia em que demos 2 secos à laranja Mecânica no Euro 2004.
Um dia fantástico por estes dois motivos supramencionados.
Este também foi o dia em que se deu a minha partida para férias. Senti neste dia que iria ter um mês de férias diferente pois não tinha que pensar em estudar para as cadeiras do próximo ano. Sei que este foi dos poucos dias da minha vida em que senti que tinha acabado de cumprir uma etapa, uma missão ...
Tinha decidido recarregar energias para a próxima etapa da minha vida: O doutoramento.
O meu plano de trabalhos já tinha sido aprovado pelo conselho científico do departamento de Matemática e promolgado pela reitoria da Universidade de Aveiro. Faltava apenas saber se iria ter uma bolsa de Doutoramento. Era este pequeno impasse que me deixava lá no fundo, com um nervoso miudinho.
No dia 12 de Agosto, depois de ter passado um dia a banhos de sol, fui para casa tomar um bom banho para tirar os grãozinhos de areia que vinham colados na sola dos pés.
Como habitualmente fazia nos meus serões de verão, decidi ir à internet mandar uns mails para saber como estava o pessoal.
Ao abrir o meu mail, deparo-me com a notícia que está na imagem acima. Tinha recebido a minha tão desejada bolsa de doutoramento da FCT. Pode parecer estúpido, mas no momento em que recebi esta notícia, senti-me omnipotente.
Claro que me senti nos píncaros da Lua tanto no dia em que entrei na Universidade e no dia em que acabei o meu curso. Mas estes momentos para mim foram momentos previsíveis, de que eu estava à espera. No entanto, tenho de dizer que esta notícia apanhou-me de surpresa pois eu nunca tinha pensado que ia receber esta bolsa, mais ainda, sendo uma bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Senti que a partir deste dia, iria ser ainda mais independente da minha família pois esta bolsa, além de me assegurar o pagamento das minhas chorudas propinas, iria-me dar um financiamento mensal. O que um jovem ainda com 21 anos podia querer mais ? Um curso na mão e uma bolsa para continuar a estudar (... )
Faltam 21 dias para me "perder" em Ghent


Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.