
Os moliceiros sempre ostentaram desenhos e figuras. Existem inclusivé, no Museu Marítimo de Ílhavo, alguns exemplos de modelos de desenhos que ornamentaram moliceiros na década de 30 do Século XX. Inicialmente de traço marcadamente rude e ingénuo- o traço, não a legenda...- os desenhos dos paineis foram-se tornando progressivamente mais elaborados, principalmente nos anos 70 e 80, pela mão de um dos maiores pintores de barcos, o saudoso Jacinto "Lavadeiro" e por aqueles que se lhe seguiram.

A temática dos paineis é diversa. Vai da singela demonstração de fé até à mais deliciosa insinuação brejeira, sendo esta, indiscutivelmente, a mais interessante e pitoresca.
Os desenhos são complementados por legendas que ostentam quase sempre um jogo de palavras dúbio, como convém.
Alguns exemplos - muitos mais existem, por esses canais e esteiros fora - podem ser apreciados nas fotos que vos apresento ao longo deste Post.


PS I: Em 1911 existiam cerca de 1500 (!) moliceiros registados na Capitania do Porto de Aveiro. A partir da década de 60 do século XX, o fluxo migratório - que reduziu para metade a população ribeirinha - e o progressivo abandono do moliço como fertilizante das terras trouxeram o declínio da bela embarcação. Em 1979 contavam-se pelos dedos os barcos que ainda resistiam na laguna. Na década de 90 o número cresceu e com ele a esperança da sobrevivência do Moliceiro, em parte devido a encomendas das Câmaras Municipais e das Associações Marinhôas. Actualmente serão cerca de 30.
PS II: Para que não restem dúvidas - e porque a palavra não vem no dicionário - Caralhoz é uma espécie de bivalve de forma tubular alongada, muito comum na Ria de Aveiro.

2 comentários:
Essas pinturas nos barcos de Aveiro devia fazer parte do património mundial...
Sim! Concordo plenamente.
Já agora uma analogia seca... As pinturas dos moliceiros são como as moedas: Têm 2 faces.
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